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Notas de Programa

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27 de junho
Luís Carlos Justi


    Escrito em 1928 o Quinteto em forma de choros consegue resumir em uma obra relativamente curta – são no máximo dez minutos – uma grande variedade das ideias musicais que Villa-Lobos passou a empregar em suas obras compostas na década de 20 (relembre-se o Trio -1921- para oboé, clarineta e fagote). É também desta década a magistral série dos Choros. Composto originalmente para corne inglês em lugar da trompa, o próprio compositor o re-escreveu a pedido de um trompista americano que observou ao autor a possibilidade de ter sua obra mais apresentada em sua formação tradicional de quinteto de sopros. O quinteto dá chances a todos os instrumentos de brilharem em suas características mais marcantes e termina em um tutti feérico. De grande dificuldade técnica, tanto individualmente como de conjunto, é uma obra obrigatória para um quinteto de sopros de nível.

    Escrito dois anos mais tarde, em 1930, portanto, o Assobio a jato para flauta e violoncelo é uma espécie de seresta a dois (o primeiro movimento é evidentemente uma seresta onde o violoncelo faz às vezes de violão). Foi composto durante a viagem do autor entre Rio de Janeiro e Nova Iorque e não traz, na verdade, nenhuma novidade quanto à forma composicional. Tampouco se compreende o porquê do nome Assobio a jato. No entanto, quando se ouve a flauta no final do terceiro movimento, percebe-se, num gesto típico do bom humor do compositor, que ele parece ter feito uma brincadeira somente para justificar o título da obra.  

    Henrique Oswald (compositor, pianista e professor) nasceu no Rio de Janeiro em 1852, onde veio a falecer em 9 de junho de 1931. O sobrenome suíço (Oschwald) foi aportuguesado. Vivendo em São Paulo desde os dois anos de idade, aos quinze foi para a Itália (Florença). Seu Quinteto Op. 18 para piano e quarteto de cordas foi tocado pelo próprio autor ao piano no Rio de Janeiro em 1896, no Salão Bevilacqua. Seus quatro movimentos mostram uma música da sua mocidade com notável influência francesa, um pouco a la Saint-Saens. É simples quanto à invenção rítmica e à polifonia. No entanto, apresenta certo virtuosismo, sobretudo na parte do piano. É refinada e jamais vulgar. Oswald, um romântico tardio, compôs muita música de câmara, mas não escreveu “música brasileira”. Quando os compositores europeus começaram a agregar características do regional-popular, Oswald os seguiu com suas polcas, barcarolas, mazurcas, valsas e polonaises. Exatamente o que Mario de Andrade pedia aos brasileiros que fizessem com o samba, o frevo, o maxixe, o jongo, numa reedição do nacional do cosmopolitismo europeu. Quando isso aconteceu no Brasil, já era tarde para Henrique Oswald. Tendo vivido mais de 40 anos na Europa, dizia de si mesmo “que não via lugar para si na história da música brasileira”.

 

Luís Carlos Justi é professor da UNIRIO e integrante do Quinteto Villa-Lobos